sexta-feira, 1 de junho de 2018

Linchamento virtual: Uma arma perigosa que pode ser letal


A irresponsabilidade utilizada como arma no meio virtual





Nós brasileiros, ocupamos a 3ª posição no ranking mundial da internet, segundo dados do Ibope Nielsen Online. O uso da internet em locais de trabalho e domicílios brasileiros vem crescendo muito nos últimos tempos, colocando o Brasil acima de países como a Alemanha, o que por um lado é benéfico porque nos traz os benefícios dos avanços tecnológicos, mas por outro lado, muita preocupação quanto ás formas e finalidades para as quais muitos internautas fazem uso da internet.
Blogs, sites, redes sociais em geral são usadas com a finalidade de empreendedorismo por quem sabe usá-los como ferramentas e mecanismos auxiliares, e hoje, indispensáveis, na comunicação e marketing que varia dos pequenos aos grandes negócios, mas existe uma gama de usuários, que a exploram pelo lado negro, desnecessário e até criminoso, causando desconfortos e prejuízos a toda comunidade virtual.
        Com o crescimento da incitação ao ódio e à violência nas redes sociais, é comum nos depararmos com campanhas e mais campanhas educativas, que visam aplacar essa onda de ataques virtuais, que cresce com o desconhecimento das leis que regulamentam o uso racional e responsável da web, prevendo punições aos infratores das mesmas. A internet nunca foi terra de ninguém como apregoam os que dela utilizam para o mal
Não obstante às campanhas educativas, criação de Delegacias Especializadas em Crimes Cibernéticos, a exemplo da Safernet Brasil, DEICC, DRCI, dentre outros, é muito comum encontrarmos publicações maldosas que divulgam nomes e imagens de pessoas, de forma injuriosa, caluniosa e difamatória, frases de efeito como, “morte ao fulano”, incitando o ódio e a violência sem se quer medir as consequências danosas de tamanha irresponsabilidade virtual.

Num passado não muito distante, em 03 de maio de 2014, o Brasil foi impactado pelas consequências desse, hoje, tão habitual, linchamento virtual, que veio a ser letal, trágico na vida da senhora Fabiane Maria de Jesus, dona de casa, 33 anos, violentamente agredida por dezenas de moradores de uma comunidade em Guarujá, no litoral de São Paulo, após ter sua imagem divulgada irresponsavelmente na internet, onde a denunciavam como sequestradora de crianças para rituais de magia negra.
Surpreendemo-nos ao ver um dos sites mais acessados do mundo, uma rede social que a meu ver deveria ter responsabilidade social no que se refere à política de segurança do que é divulgado por seus usuários, após inúmeras denúncias, manter um grupo que tem por título, Morte ao Lula, bem como outras com títulos semelhantes.
Hoje, “morte ao Lula”, amanhã, ao “Joãozinho”, depois à “Mariazinha”, etc, e assim os elos do ódio incitado virtualmente, vão se ligando e se propagando de forma viral e dando origem à grande corrente de violência que só tende a aumentar a catastrófica onda de justiçamento que rasga literalmente a nossa Constituição Federal e desrespeita as nossas leis, pondo em xeque toda e qualquer autoridade competente para julgar e punir nas suas mais variadas formas.
Argumentam o direito de expressão garantido no Art. 5º IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX- é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença;

Mas até onde vai o direito de expressão? Desde quando se é permitido a um direito atropelar o outro? Nesse caso, o primeiro e maior direito do cidadão, o direito à vida? Na minha opinião não pode haver defesa e nem justificativa para nenhum ato que caracterize ameaça à segurança e à vida e à privacidade de quem quer que seja.

         É preciso mais rigor quanto a essa postura na web, que já demonstrou na prática, ser danosa à segurança e ordem pública. Está mais do que na hora dos órgãos competentes, fiscalizarem melhor todo e qualquer site que de alguma forma, promove ou coopera para a promoção da violência, caso contrário, a internet cada vez mais se constituirá em um veículo difusor do ódio e em arma letal contra os cidadãos que utilizam este importante canal diariamente na busca de algo que os engrandeça e que não os dizime.


Publicado por Fátima Miranda

Acadêmica, teóloga, radialista, ativista social, designer de mídia virtual, articulista, compositora, pratica voluntariado, etc...alguém que luta e crê na Justiça social deste país.


https://amitafamitaf.jusbrasil.com.br/artigos/220020703/linchamento-virtual-uma-arma-perigosa-que-pode-ser-letal

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

OS DEZ MANDAMENTOS DA HERANÇA SAGRADA DE DOROTHY STANG



Em doze de fevereiro completou-se 13 anos de seu assassinato e nós celebramos 8 Anos de fundação do Centro de Cidadania, Defesa dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social "Dorothy Stang“ em homenagem a Irmã Dorothy
Deixamos os dez mandamentos da Irmã Dorothy Stang
1.defesa de todas as formas de vida.
2.preservação da floresta.
3.luta por uma Amazônia sustentável.
4.denunciar violações.
5.profetismo de mulher missionária.
6.compromisso com a justiça.
7.compromisso com as causas sociais.
8.importância de organizar o povo.
9.projetos de desenvolvimento sustentável de Anapu
10.exemplo de coragem e persistência


Campanha da Fraternidade 2018

Tema: Fraternidade e superação da violência
Lema: Vós sois todos irmãos (Mt 23,8)
        Dando continuidade às reflexões sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano que é a superação da violência, é importante e fundamental que se possa perceber a violência como um fato social complexo, cujas origens, manifestações, formas, causas e consequências diferem histórica, cultural, temporal, econômica, política e socialmente.
           Diante de uma realidade tão complexa, não se pode ter a ingenuidade de que existe uma fórmula mágica para resolver o problema em todas as suas dimensões. É importante que se faça uma análise a partir de cada dimensão e que as ações também sejam realizadas de forma coerente, integradas e jamais compartimentadas, isoladas ou de forma descontínua.
           Podemos também identificar os espaços ou territórios, para usar uma linguagem atual e muito em voga, onde a violência se manifesta e como esses espaços estão inter-relacionados ou superpostos tornando o problema mais complexo ainda, principalmente pelos atores ou agentes envolvidos. Muitas vezes a vítima de uma forma de violência também é agente que prática outros atos de violência contra outras pessoas e, desta maneira, se forma uma teia que facilita a reprodução da violência de forma generalizada, o que caracteriza a chamada “cultura da violência”, onde todos estamos inseridos, sem exceção.
         O primeiro espaço onde a violência está presente e, muitas vezes de forma oculta e dissimulada, é a família. Estudos indicam que os índices de violência doméstica são muito maiores do que as denúncias feitas perante organismos públicos, principalmente junto aos organismos de saúde, policiais e de defesa dos direitos humanos.
         Aqui cabe um destaque, tem muita gente que confunde o conceito de direitos humanos com a defesa pura e simples de bandidos, quando na verdade direitos humanos são os direitos fundamentais de todas as pessoas, incluindo a vida, a liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de opção sexual, liberdade de crença, liberdade para ter uma vida digna, liberdade de a pessoa não sofrer discriminação, ser maltratada, liberdade para buscar ser feliz, sem que isto prejudique o próximo. A superação da violência pressupõe a garantia e a defesa integral dos direitos humanos.
       Pois bem, a violência doméstica se manifesta na forma como os pais tratam, cuidam e criam seus filhos e filhas. É comum, não apenas no Brasil como também em diversos países, que pais espanquem filhos/as, sejam extremamente autoritários, violentos em suas relações. Existe muita violência tanto dos pais quanto das mães em relação aos filhos, inclusive uma forma dissimulada de violência que é o abandono, a negligência ou até mesmo atos de violência física e psicológica, incluindo assassinatos.
      Tais práticas irão moldar o caráter e a personalidade da criança e adolescente e acompanha-las pelo resto da vida, vários estudos indicam que crianças e adolescentes que sofrem maus tratos, sofrem violência doméstica se tornam adultos também violentos e irão reproduzir os mesmos modelos ou padrões de relações familiares quando adultos; é o que podemos dizer como “reprodução da violência”, culturalmente, geração após geração.
        De forma semelhante as notícias e estudos indicam que, no caso brasileiro, por exemplo, existe um alto grau de violência contra a mulher, a chamada violência de gênero, onde boa parte desta violência tem suas raízes históricas e culturais, pelo machismo que está na base da formação cultural de nosso país, onde ao homem, ao marido, companheiro, amante, namorado é dado o direito de posse em relação `a mulher, inclusive seu corpo. Por muitas décadas ou séculos a sociedade brasileira e ainda isto está presente nos dias de hoje, tolera inúmeros crimes contra a mulher em nome da “defesa da honra”, tanto em relação `a esposa quanto `as filhas.
         Essas são as raízes do feminicídio, dos estupros, das agressões, dos assassinatos com requinte de crueldade contra mulheres e meninas indefesas, tanto na dimensão da violência doméstica quanto na violência contra as mulheres em espaços públicos, que é o círculo ampliado do universo da violência.
          No contexto da violência doméstica existe também a violência sexual, que não pode e nem deve ser negligenciada, principalmente de pais, padrastos, parentes próximos contra crianças e adolescentes, principalmente contra meninas, as vezes com tenra idade. Há casos de violência sexual até mesmo contra bebes e crianças com menos de quatro ou cinco anos, uma verdadeira aberração em se tratando de violência contra seres humanos indefesos.
          Outra forma de violência doméstica muito frequente são as agressões, por vezes até fatais, de irmãos e irmãs entre si ou de filhos e filhas contra pais e mães, inclusive quando esses são idosos e acabam sendo vítimas indefesas de seus próprios familiares, em um ambiente que deveria primar pelo amor, carinho e compreensão mútua entre seus membros.
         Portanto, se desejarmos superar a violência precisamos repensar as nossas relações familiares e substituir a brutalidade, o autoritarismo, a perversidade, os maus tratos, as agressões físicas, verbais ou psicológicas pelo diálogo, pela solidariedade, pela compreensão mútua, pelo amor, pelo perdão e pela reconciliação, ensinamentos sagrados constantes, principalmente, do Novo Testamento da Bíblia Sagrada, fonte única da fé cristã.
           Não existe sociedade que busque a paz se no seio das famílias existe uma verdadeira guerra que é a violência doméstica, que se manifesta nas formas de violência de gênero, violência contra a mulher e as meninas, violência contra crianças, adolescentes, violência sexual e contra familiares idosos.
Fonte: - Juracy da Silva
Professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia,    articulista e colaborador de jornais, revistas, sites, blogs e outros veículos de comunicação
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Fortalecimento dos Direitos Humanos como instrumento transversal das políticas públicas



Em 21 de dezembro após ampla divulgação e consulta pública, o Plano Nacional dos Direitos Humanos foi aprovado e entrou em vigor através do Decreto Presidencial nº 7.037 como Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3, em consonância com as diretrizes, objetivos estratégicos e ações programáticas estabelecidos pelo decreto.

O plano incorporou diversos documentos vindos das conferências nacionais que foram sendo promovidas desde 2003 com os resultados das diferentes esferas governamentais estaduais e municipais, que trataram das várias temáticas como educação, igualdade racial, direitos da mulher, juventude, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, meio ambiente etc., promovendo um amplo debate democrático sobre as políticas públicas. Um dos avanços que obteve maior destaque foi a transversalidade e interministerialidade de suas diretrizes, de seus objetivos estratégicos e de suas ações na concretização e promoção dos Direitos Humanos.

Ampliou as conquistas na área dos direitos e garantias fundamentais, pois internaliza a diretriz segundo a qual a primazia dos Direitos Humanos constitui princípio transversal a ser considerado em todas as políticas públicas. 
Segundo Serra (2005, p.3 tradução nossa) “A transversalidade é ao mesmo tempo um conceito e um instrumento organizativo cuja função é possibilitar a atuação das organizações em relação a determinados assuntos onde a abordagem comum se apresenta inadequada”. A transversalidade se relaciona com temas que perpassam os diferentes campos do conhecimento e estão diretamente ligados à compreensão das relações sociais. Visa a melhoria da sociedade e da humanidade e por este motivo abarca quase sempre os temas e conflitos vividos pelos sujeitos no cotidiano.

Quando se fala em transversalidade refere-se a um determinado tema ou assunto que passa a ser condutor na aplicação de outros temas; permeia pelas diferentes políticas públicas, seus objetivos e conteúdos passam a estar inseridos em cada uma delas e vão sendo trabalhados em uma e em outra, de diferentes modos.

A peça fundamental, portanto, na transversalidade dos direitos humanos com as políticas públicas é o Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH -3. Deve-se possibilitar que as políticas públicas dentro da perspectiva da garantia de direitos cheguem a todos os que dela necessitam, uma vez que ainda há sérios sinais de violação de direitos, quer no campo, quer na cidade. Por sua vez a sociedade tem que se apropriar deste conteúdo e ser protagonista desse processo conforme orienta o PNDH-3 (2010).

Alcançar o desenvolvimento com Direitos Humanos é capacitar as pessoas e as comunidades a exercerem a cidadania, com direitos e responsabilidades.
É incorporar, nos projetos, a própria população brasileira, por meio de participação ativa nas decisões que afetam diretamente suas vidas. (PNDH -3-p.43).

Ainda, da mesma forma, o executivo deverá comprometer-se neste processo, também, conforme apresenta o PNDH- 3 (2010).

                                                  O Poder Executivo tem papel protagonista de coordenação e implementação
do PNDH-3, mas faz-se necessária a definição de responsabilidades compartilhadas entre a União, estados, municípios e Distrito Federal na execução de políticas públicas, tanto quanto a criação de espaços de participação e controle social nos Poderes Judiciário e Legislativo, no Ministério Público e nas Defensorias, em ambiente de respeito, proteção e efetivação dos Direitos Humanos. (PNDH -3- 2010 p. 27)

A diretriz 2, do PNDH-3 se refere à importância do fortalecimento dos Diretos Humanos como sendo um instrumento transversal na construção das políticas públicas. Entretanto se faz necessário que na sua aplicabilidade se tenha em conta a participação dos vários segmentos sobretudo aqueles mais vulneráveis.
Segundo Braga, (2010), apud Stiegler, refletindo sobre transversalidade e Direitos Humanos:

[...] destaca o filósofo Bernard Stiegler, a transversalidade das políticas consiste na reorganização, na melhoria, no desenvolvimento e na avaliação de processos de decisão em todas as áreas políticas e de trabalho de uma organização, com o objetivo de incorporar a perspectiva dos direitos humanos de mulheres, negros, idosos, crianças, adolescentes, lésbicas, gays e travestis nos processos de decisão, proporcionando a igualdade de oportunidades. (Braga, 2010, p.1)
Não resta dúvida a grande importância que tem os objetivos estratégicos e as propostas de ações programáticas dos seis eixos orientadores do PNDH - 3 que traduzem os diversos direitos humanos de forma transversal, a fim de efetivar a indivisibilidade e a interdependência dos mesmos, atendendo ao recomendado pela II Conferência Mundial de Direitos Humanos (Viena, 1993) que avança na formulação já presente nas duas primeiras versões do PNDH (I - 1996 e II - 2002).

Amaral, Maria Teresa Del Niño Jesus Espinós de Souza Amaral. Gestão Pública e Direitos Humanos da teoria à pratica – seu distanciamento/ INPG: São José dos Campos, 2013.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

MANDANTE DO ASSASSINATO DA IRMÃ DOROTHY ESTÁ PRESTES A SER PRESO NO PARÁ


A missionária Dorothy Stang foi assassinada
com seis tiros em 2005, aos 73 anos de idade.

      Irmã Dorothy Stang lutava pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável, mas o local era disputado por fazendeiros e madeireiros. / Tomaz Silva.
    

        
“Segundo o ministro Marco Aurélio, o Tribunal do Júri do Pará concluiu pela culpa de “Taradão” antes de se esgotarem as possibilidades de recursos da defesa contra a condenação.
        Isso é uma terrível piada de mau gosto. É uma afronta direta à Justiça e à dignidade do cidadão.
        É o efeito Gilmar Mendes, ministro que ganhou fama pelos dois HCs ultrassônicos para o banqueiro Daniel Dantas e um extra para outro taradão, o médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de cadeia por ter estuprado 37 mulheres. Dantas está solto. Abdelmassih, foragido.
Marco Aurélio já havia sido reconhecido por feito semelhante, ao libertar o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que ficou sete anos foragido, até ser preso em Mônaco, em 2007.” Leandro Fortes, CartaCapital
         “O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte americana Dorothy Stang, ocorrido em 2005, em Anapu, sudeste do Pará, pode ser preso a qualquer momento após o estado do Pará ter recebido um mandado de prisão contra ele nesta quarta-feira (22).
        O Supremo Tribunal Federal (STF) negou o Habeas Corpus responsável por manter Regivaldo solto, além de ter revogado o direito do fazendeiro de aguardar em liberdade o andamento do recurso. O Tribunal de Justiça do Pará confirmou o recebimento do mandado de prisão pelas delegacias do estado
         De todos os acusados de participar do crime, quatro pessoas já foram condenadas com penas que chegam a 27 anos de prisão. Regivaldo havia sido condenado a 30 anos em 2010, mas estava em liberdade desde 2012 após receber Habeas Corpus do STF.” Luiz Felipe Albuquerque


Fontes:


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

11 anos da Lei Maria da Prenha!

11 anos da Lei Maria da Prenha!

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340), sancionada no dia 7 de agosto de 2006, completa 11 anos de vigência. Apesar de os índices de violência ainda serem alarmantes, é possível perceber que as mulheres estão, cada dia mais, abrindo a porta de suas casas para a entrada da Justiça, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça.

A legislação leva o nome da biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, cearense, e que foi vítima de violência doméstica durante 23 anos por seu marido professor universitário, que tentou assassiná-la por duas vezes, Da primeira tentativa, Maria da Penha saiu paraplégica e da segunda tentativa de homicídio aconteceu meses depois, quando Viveros empurrou Maria da Penha da cadeira de rodas e tentou eletrocuta-la no chuveiro.

                     Mesmo após 15 anos de luta e pressões internacionais, a justiça brasileira ainda não havia dado decisão ao caso, nem justificativa para a demora. Com a ajuda de ONGs, Maria da Penha conseguiu enviar o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), que, pela primeira vez, acatou uma denúncia de violência doméstica. Viveiro só foi preso em 2002, para cumprir apenas dois anos de prisão.

O processo da OEA também condenou o Brasil por negligência e omissão em relação à violência doméstica. Uma das punições foi a recomendações para que fosse criada uma legislação adequada a esse tipo de violência. E esta foi a sementinha para a criação da lei. Um conjunto de entidades então reuniu-se para definir um anteprojeto de lei definindo formas de violência doméstica e familiar contra as mulheres e estabelecendo mecanismos para prevenir e reduzir este tipo de violência, como também prestar assistência às vítimas.

O alvo da Lei Maria da Penha não se limita à violência praticada por maridos contra esposas ou companheiros contra companheiras. Decisões do STJ já admitiram a aplicação da lei entre namorados, mãe e filha, padrasto e enteada, irmãos e casais homoafetivos femininos. As pessoas envolvidas não têm de morar sob o mesmo teto. A vítima, contudo, precisa, necessariamente, ser mulher.

Embora tenha dado ênfase à proteção da mulher, “não se esqueceu dos demais agentes destas relações que também se encontram em situação de vulnerabilidade, como os portadores de deficiência”.

Com esse propósito, a Lei Maria da Penha alterou o artigo 129, parágrafo 9º, do Código Penal, além da violência física e sexual, também a violência psicológica, a violência patrimonial e o assédio moral. agravando a pena para crimes de violência doméstica contra vítimas em geral.

O dispositivo, que previa a pena de seis meses a um ano, foi alterado com a redução da pena mínima para três meses e o aumento da máxima para três anos, acrescentando-se mais um terço no caso de vítimas portadoras de deficiência.

De acordo com da Lei 11.340, constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, medidas protetivas de urgência, como o afastamento do lar, a proibição de manter contato com a vítima e a suspensão de visita aos filhos menores, entre outras.



Referencias



quinta-feira, 2 de março de 2017

Campanha da Fraternidade 2017



O tema e o lema da Campanha da Fraternidade 2017 será sobre: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, tendo como lema “Cultivar e guardar a Criação”.
O assunto para definir a criação do tema e do lema foi discutido em uma das reuniões do Grupo de Assessores (GA) da CNBB, que foi realizada no dia 2 de maio de 2016.
De acordo com o bispo auxiliar e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”.
O texto base da Campanha da Fraternidade deste ano está divido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais, o texto base também traz diversas reflexões nas perspectivas de São João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco.
Inspirada pelos posicionamentos do Papa Francisco na Encíclica Laudato Si, a Igreja Católica do Brasil desenvolverá na Campanha da Fraternidade 2017 o tema “Biomas brasileiros e a defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação”.
       “Devemos proteger as nascentes e cobrar a recuperação da mata ciliar, não permitir projetos econômicos em áreas de preservação permanente e lançar luzes sobre a questão do fracking, bem como criar um novo arranjo de convívio e de relacionamento dos humanos entre si e com a natureza”, afirmou o Bispo de Umuarama, Dom Frei João Mamede Filho.
       Para Dom Mamede, além do aumento da população e do modo de viver em aglomerações, o crescente poder técnico-científico de intervenção da natureza e o desejo exacerbado de lucro são fatores que contribuem para a destruição da Casa Comum.
“Já não basta cuidar e proteger os espaços de forma fragmentada, é preciso incluir o ser humano nessa visão global, conforme ensina o Papa Francisco. Cada ferida e cada arranhão na natureza revelam a destruição do humano e da sociedade”, completa.



O cartaz da CF 2017 mostra o mapa do Brasil em imagens características de cada região do país, evidenciando a beleza natural do país, onde pode ser identificado os seis biomas brasileiros. O cartaz também mostra o cenário, com os personagens principais, os povos originários; os pescadores e o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Não podemos esquecer de citar também a preocupação e o alerta para os perigos da devastação em curso, despertando a atenção da população brasileira para a criação de Deus.


 Biomas Brasileiros
         O Brasil é formado por seis biomas de características distintas:  Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Cada um desses ambientes abriga diferentes tipos de vegetação e de fauna.
Como a vegetação é um dos componentes mais importantes da biota, seu estado de conservação e de continuidade definem a existência ou não de hábitats para as espécies, a manutenção de serviços ambientais e o fornecimento de bens essenciais à sobrevivência de populações humanas.

         Para a perpetuação da vida nos biomas, é necessário o estabelecimento de políticas públicas ambientais, a identificação de oportunidades para a conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade.

Amazônia
Caatinga

Cerrado

Mata Atlântica
Pampa
Pantanal

“A preservação dos biomas exige a atuação do poder público, ações efetivas do governo, exige um modelo de desenvolvimento econômico que não destrua os recursos naturais na busca desenfreada pelo lucro e, por isso, pela sua natureza, a campanha necessita de parcerias, reflexões e ações conjuntas”.

Fontes de informações:
http://www.mma.gov.br/biomas.